FLAVIO CARSALADE
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BIOGRAFIA
Flávio de Lemos Carsalade é arquiteto e urbanista, natural de Belo Horizonte e nascido em 12 de março de 1957. A família Carsalade tem origem francesa e chegou ao Brasil através do bisavô do arquiteto, que se estabeleceu em Nova Lima-MG no final do século XIX/ início do século XX como trabalhador da Mina de Morro Velho.
A escolha pela profissão manifestou-se logo na infância, impulsionada por uma forte ligação afetiva com seu avô, que era arquiteto. Desde cedo, Flávio já sabia que também atuaria na arquitetura:
"Desde sempre. Não tinha a menor dúvida disso. E sempre trabalhei pra isso. Eu gostava muito de desenhar, né? Tinha um talento pro desenho."
Antes de ingressar no ensino superior, Flávio trabalhou como desenhista em uma empresa de catálogos telefônicos, criando e desenhando anúncios. Essa experiência inicial, de acordo com ele próprio, o ajudou muito em caráter criativo.
Formação e Docência
Em 1974, Carsalade ingressou na graduação de Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante o curso, estagiou no setor de planejamento do campus da UFMG (atual DPFO).

Flávio concluiu a graduação em 1979, ano em que foi convidado pelo arquiteto Gustavo Penna para trabalhar em seu escritório, e colou grau em fevereiro de 1980, quando fundou com dois colegas de turma, Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes, o escritório Tecnè. Os primeiros anos da prática profissional foram marcados por grandes desafios econômicos, coincidindo com a chamada "década perdida" (anos 1980), período com grande recessão no mercado da construção civil.
Embora mantivesse a rotina de projetos, ele nutria um grande interesse pela docência. Sua carreira como professor iniciou em 1981, oportunidade que surgiu através de sua rede de contatos formada no estágio: ele foi convidado para lecionar no Instituto Metodista Izabela Hendrix pelo arquiteto José Abílio Belo Pereira - figura de grande destaque na UFMG, amplamente reconhecido por integrar a equipe de planejamento da instituição.
"Bom, eu trabalhava com o Gustavo e ao mesmo tempo eu tinha um escritório de arquitetura, né? Mas eu gostava muito de dar aula. Então eu formei em fevereiro de 1980. E logo logo, em 1981, o Zé Abílio, que era o arquiteto que eu tinha trabalhado com ele no campus da UFMG, era professor do Izabela [Hendrix] e me convidou pra dar aula no Izabela [Hendrix]. Então eu comecei a dar aula com um ano de formado."
No ano seguinte, Carsalade tomou posse como professor na Escola de Arquitetura da UFMG, onde construiu grande parte da sua carreira, atuando não só como professor mas também como vice-diretor (1988-1991) e diretor (2008-2012).

Ainda na federal mineira, o arquiteto concluiu mestrado em Ensino de Projeto em Arquitetura em 1997. Já em 2007, Carsalade obteve o título de doutor pela Universidade Federal da Bahia, com o tema "Desenho Contextual - uma abordagem fenomenológico-existencial ao problema da intervenção em lugares especiais feitos pelo homem", e em 2024 concluiu o pós-doutorado na Università degli Studi di Firenze, UNIFI, ambos na subárea de Patrimônio.
Patrimônio e Gestão Pública
A transição para o patrimônio cultural ocorreu por um "completo acidente" de percurso. No início da carreira docente, Flávio estava focado nas áreas de conforto ambiental, ecologia e tecnologia - tendo, inclusive, criado o Departamento de Tecnologia enquanto era vice-diretor na Escola de Arquitetura. O desvio de rota deu-se por conta de uma indicação institucional:
"Então eu estava nessa de meio ambiente, e aí surgiu o Conselho do Patrimônio Municipal de Belo Horizonte. Criaram o Conselho. Aí tinha uma vaga de representação da UFMG, e eles falaram, sei lá, 'você aí que trabalha com meio ambiente, pode ir pro patrimônio cultural'. (...) E aí, eu que estava indo para a área ambiental, de conforto, essa coisa toda, eu acabei indo para a área do patrimônio."
Além de atuar no Conselho Municipal e presidir o IAB-MG por três anos, Carsalade foi convidado, em 1999, para assumir a presidência do IEPHA-MG, onde viabilizou o primeiro registro de bem imaterial do Brasil: o preparo artesanal do Queijo do Serro. Em 2003, ingressou como Secretário da Regional Pampulha, conciliando o cargo com seu doutorado na UFBA:
"Os créditos que eu tinha que fazer na Bahia (...) eram todos concentrados na quarta-feira. Então eu saía seis horas da manhã daqui. Chegava em Salvador. Ficava o dia inteiro (...) no dia seguinte, voltava às seis horas da manhã. Então eu fiz isso durante um ano."
Anos mais tarde, Flávio Carsalade coordenou o dossiê que elevou o Conjunto Moderno da Pampulha a Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, em 2016. Ele relembra a elaboração do documento e a defesa da sua tese conceitual:
"Eu sempre acreditei que a Pampulha ia ser Paisagem Cultural da Humanidade, aí fiz a proposta como Paisagem Cultural e o IPHAN que apresenta a candidatura, então o IPHAN mandou eu cortar o texto toda vez que aparecia a palavra ‘paisagem cultural’, mandaram eu substituir. Porque eles não queriam que entrasse como Paisagem Cultural, porquê era um termo muito polêmico na Unesco. (...) Então eu fui com o localizador, onde tinha Paisagem Cultural, eu trocava. Aí a minha vingança foi que (...) na sessão que aprovou, eles aprovaram com Paisagem Cultural. [risos]"
Filosofia de Vida e Projetos Marcantes
Embora elogiado desde os tempos de estudante, Flávio utilizou a sua espiritualidade para transformar a sua relação com o sucesso e combater as ambições juvenis de aclamação:
"A gente entra pro curso de arquitetura querendo ser Niemeyer, né? (...) Então quando eu formei eu queria ser famoso, né? assim… O cara! E eu fui muito bom aluno, assim… eu lembro que os professores me elogiavam muito, sempre… Eu sei que eu tava em cima da carne seca. E aí... Eu comecei a estudar o budismo e falei 'não, não quero... não quero essa vaidade. Eu tenho que lutar contra essa vaidade'. E aí eu fazia pelo prazer de fazer e de criar e, claro, pra sobreviver, né? E aí eu... Eu acho que eu publiquei muito mais texto do que projeto."
Ao ser questionado sobre quais seriam os seus projetos mais notáveis, ele destacou o Hospital Orizonti (reforma e ampliação do Hospital Hilton Rocha) como a intervenção mais complexa de sua carreira:

"Esse foi complicado, porquê ele é um lugar muito sensível, né? É um lugar de patrimônio cultural, patrimônio ambiental… e eu acho que o resultado foi muito bom. E ele demorou dez anos, a negociação, essa coisa toda."
Quanto aos seus destaques na área de restauração, ele elege a Praça Floriano Peixoto e o Museu da Moda como seus favoritos. Além disso, menciona outros trabalhos importantes, como o Edifício Mediterrâneo e a sede do CrediCopa, em Patos de Minas - um projeto que ele valoriza especialmente pelo cuidado do engenheiro em executar a obra com total fidelidade ao que foi planejado. Carsalade também falou da dificuldade no campo da arquitetura em ter projetos construídos fielmente:
"Eu lembro que fiz um projeto, (...) um prédio de 5 ou 6 andares no [bairro] Santa Tereza. (...) O projeto tinha assim... umas janelas em fita... Um dia, o cara começou a construir, aí me chamou para ver o projeto, ‘Você vai adorar! Vai adorar a obra!’. Cheguei lá, ele tinha substituído a janela em fita por janelinha colonial. E achou que eu ia amar aquilo. ‘E aí? Satisfeito com a sua obra?’ [risos].”
“Eu projetei o aeroporto de Diamantina (...) um capricho danado e tal, o projeto todo feito em detalhe... (...) inauguraram o projeto, eu fui de avião, na hora que eu 'tava sobrevoando eu falei ‘tem alguma coisa errada aqui’. (...) Na hora que eu fui entrando assim, só foi decepção, decepção, decepção, uma atrás da outra. Eu cheguei a pensar em tirar meu nome.”
Sobre a infidelidade aos projetos, ele relembra a crise da década de 1980:
“Eu construí, nos anos 80, quando tava ruim, nós construíamos os projetos que a gente fazia, esses foram bem construídos mesmo, a gente respeitou nosso próprio projeto [risos]."
Atualmente, aposentado da graduação, Flávio mantém-se ativo como professor voluntário na pós-graduação da UFMG e exerce a presidência do ICOMOS Brasil.
Lista de projetos
1980
Conjunto Habitacional Bela Vista (COHAB) (arquitetura/urbanismo), Lagoa Santa, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Conjunto Habitacional Centenário (COHAB-MG) (arquitetura/urbanismo), Varginha, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Conjunto Habitacional D. Amanda Pinheiro Nelson de Senna (COHAB- MG) (arquitetura/urbanismo), Corinto, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Conjunto Habitacional D. Iracema Biagioni Rocha (COHAB-MG) (arquitetura/urbanismo), MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Conjunto Habitacional Manoel Alves Vilela Lima (COHAB-MG) (arquitetura/urbanismo), MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Loteamento José Brandão (urbanismo), Caeté, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Residência Ronan Rodrigues Rego (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com o arquiteto Gustavo Penna.

Edifício Trópico (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com o arquiteto Gustavo Penna.
Edifício Atlântida (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com o arquiteto Gustavo Penna.
Edifício Flamboyant (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com o arquiteto Gustavo Penna.
1981
Edifício Residencial localizado à R. Viçosa (arquitetura), Belo Horizonte, MG.
Edifício Residencial/Comercial localizado à R. Bernardo Guimarães (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com o arquiteto Gustavo Penna.
Conjunto Habitacional Vale das Palmeiras (COHAB-MG) (arquitetura/urbanismo), MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Conjunto Habitacional Firmino Barbosa Lima (COHAB-MG) (arquitetura/urbanismo), Recreio, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Conjunto Habitacional Pioneiro (COHAB-MG) (arquitetura/urbanismo), MG, Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Conjunto Habitacional Israel Pinheiro da Silva (COHAB-MG) (arquitetura/urbanismo), Nanuque, MG, Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Conjunto Habitacional (COHAB-MG) (arquitetura/urbanismo), MG, Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Hospital da Policlínica Salinense (arquitetura), Salinas, MG, Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Sede Estável Engenharia (arquitetura), Belo Horizonte, MG, Brasil.
Casa de Praia GL (arquitetura), Brasil. Em colaboração com o arquiteto Gustavo Penna.
Residência Multifamiliar Horizontal Andrade Jr (arquitetura), Brasil. Em colaboração com o arquiteto Gustavo Penna.
Acampamento da Igreja Batista da Floresta (arquitetura), Sete Lagoas, MG, Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Sede da Rede Bandeirantes de Televisão (arquitetura), Belo Horizonte, MG, Brasil. Em colaboração com Gustavo Penna.

1982

Conjunto Habitacional Bálsamo (arquitetura), Brasil. Em colaboração com o arquiteto Gustavo Penna.
Conjunto Habitacional Joaquim Furtado Pinto (COHAB-MG) (arquitetura/urbanismo), Leopoldina, MG, Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Edifício Ayres da Mata Machado/Sindicato dos Jornalistas (arquitetura), Belo Horizonte, MG, Brasil. Em colaboração com os arquitetos Gustavo Penna, Ângela Roldão e Luis Antônio Fontes Queirós.
1983
Igreja Batista do Bairro Floramar, Belo Horizonte (arquitetura), MG, Brasil.
Ed. Residencial/Comercial localizado à R. Bernardo Guimarães (arquitetura), Belo Horizonte, MG, Brasil. Em colaboração com o arquiteto Gustavo Penna.
1984
Edifício Residencial/Comercial localizado à R. Rio Grande do Norte (arquitetura), Belo Horizonte, MG, Brasil. Em colaboração com o arquiteto Gustavo Penna.

Anexo da Igreja Batista da Floresta (arquitetura), Belo Horizonte, MG, Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Edifício Residencial Leopoldina (arquitetura), Belo Horizonte, MG, Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Edifício Nísio Baptista de Oliveira (arquitetura), Belo Horizonte, MG, Brasil. Em colaboração com o arquiteto Gustavo Penna.
Colégio São Miguel Arcanjo (reforma), Belo Horizonte, MG, Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (reforma e adaptação), Belo Horizonte, MG, Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
1985
Edifício Residencial localizado à rua Viçosa (arquitetura), Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.

Reforma da 1ª Igreja Presbiteriana de Patos de Minas (reforma), Patos de Minas, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Edifício Residencial Buganville (arquitetura), Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Edifício Residencial Morada do Ipê (arquitetura), Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Edifício Sede Hemobel Laboratório (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Câmara Municipal de Contagem (arquitetura), Contagem, MG.
1986
Edifício residencial localizado à Rua Flórida (arquitetura), Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Edifício Residencial Jaime Ramos (arquitetura), Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.

Terminal Aeroviário de Diamantina Versão 1 (arquitetura), Diamantina, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Edifício Residencial Mediterrâneo (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Edifício Residencial Monsenhor Lopes (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com a arquiteta Miriam Cançado de Andrade.
Associação Atlética Banco do Brasil de Patos de Minas (arquitetura), Pato de Minas, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Terminal Aeroviário de Divinópolis (arquitetura), Divinópolis, MG.
Terminal Aeroviário de Caratinga (arquitetura), Caratinga, MG.
Terminal Aeroviário de Passos (arquitetura), Passos, MG.
Terminal Aeroviário de Nanuque (arquitetura), Nanuque, MG.
1987
Mercado Central de Montes Claros (arquitetura), Montes Claros, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Centro Comercial de Arcos (arquitetura), Arcos, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Terminal Aeroviário de Mocambinho (arquitetura), Jaíba, MG, Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Mercado Bairro Bela Vista (arquitetura), Brasil.
1988
Academia de Polícia do Estado de MG (arquitetura), Belo Horizonte, MG.
Sistema Núcleos de Ensino e Extensão Comunitária (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com o arquiteto Gustavo Penna.

1989
Edifício Residencial/Comercial Monte Blanco (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
1991
Edifício Sede - Fábrica Odous (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Parque Amilcar Viana Martins (paisagismo), Belo Horizonte, MG.
Praça Floriano Peixoto (paisagismo), Belo Horizonte, MG.
1992
Condomínio Horizontal Jardim das Mangueiras (arquitetura), Brasil. Em colaboração com o arquiteto Gustavo Penna.
Condomínio Porto do Sol (arquitetura/urbanismo), Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Edifício Sede do SINDPAS (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Centro de Apoio ao Trabalhador Sesiminas (arquitetura), Carangola, MG.
Centro de Apoio ao Trabalhador Sesiminas (arquitetura), Ponte Nova, MG.
Centro de Apoio ao Trabalhador da Sesiminas (arquitetura), João Monlevade, MG.
Centro Apoio ao trabalhador Sesiminas (arquitetura), Brasil.
1993
Edifício residencial/comercial Barcelona (arquitetura), Brasil. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Sede do grupo Giramundo (arquitetura), Belo Horizonte, MG.
1994
Edifício residencial localizado à R. do Ouro (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Ex-câmara dos Vereadores para Centro Cultural da Cidade (readaptação e restauro), Belo Horizonte, MG.
1995
Edifício residencial localizado à Av. Prof Mário Werneck (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Edifício residencial localizado à Av. Prof Mário Werneck II (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Plano Diretor do Bairro/Condomínio Morro do Chapéu (urbanismo), Nova Lima, MG.
Centro Chagdud Dawa Drolma (arquitetura), Belo Horizonte, MG.
Sede Gontijo (arquitetura), Belo Horizonte, MG.
1996
Centro Esportivo ZICO (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
Edifício Residencial Gênova (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com os arquitetos Antônio de Pádua Fialho e Paulo Henrique Lopes.
1998
Praça Yanco Steurman Igarapé (paisagismo), Igarapé, MG.
Conjunto Habitacional (arquitetura), Betim, MG. Em colaboração com o arquiteto Paulo Henrique Lopes.
Camelódromo (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com o arquiteto Carlos Alberto Barbosa Maciel.
Casa Bandeirista Fazenda do Manso (restauração e adaptação), Ouro Preto, MG. Em colaboração com os arquitetos Carlos Alberto Barbosa Maciel, Danilo Matoso Macedo e Paulo Henrique Lopes.
Fazenda do Manso (restauração), Ouro Preto, MG.
Centro Poliesportivo (arquitetura), Igarapé, MG.
Centro Médico ONCOMED (arquitetura), Belo Horizonte, MG.

1999
Comércio de Venda Nova (diagnóstico urbanístico), Venda Nova, MG.
2001
Centro Histórico (revitalização), Sabará, MG.
2002
Sede Administrativa da Valourec Mannesman (arquitetura), Belo Horizonte, MG.
2003
Edifício sede do Grupo Giramundo e Museu Giramundo (ampliação), Belo Horizonte, MG.
2004
Sede da Administração Regional (reforma e ampliação), Belo Horizonte, MG.
2005
Centro de Economia Solidária da Pampulha (COMARP) (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com o arquiteto José Maria F. Lima.
2006
Centro de Referência Turística Alvaro Hardy Veveco (restauração e adaptação), Belo Horizonte, MG.
Terminal Aeroviário (arquitetura), Diamantina, MG. Em colaboração com a arquiteta Maria Ângela Reis de Castro.
2007
Automóvel Clube de Minas Gerais (restauração), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com a arquiteta Maria Ângela Reis de Castro.
Centro de Informações Turísticas (arquitetura), Lagoa Santa, MG. Em colaboração com a arquiteta Maria Ângela Reis de Castro.
Iate Clube de Lagoa Santa (restauração e revitalização), Lagoa Santa, MG. Em colaboração com a arquiteta Maria Ângela Reis de Castro.
Observatório da Pampulha (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com a arquiteta Marina Noronha.
Estação BHBUS Pampulha (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com a arquiteta Fernanda Basques.
Parque Liberdade na Pampulha (paisagismo), Belo Horizonte, MG.
2008
Sede do Centro de Memória (restauro, adaptação e ampliação), Brumadinho, MG. Em colaboração com a arquiteta Maria Ângela Reis de Castro.
2009

Praça Floriano Peixoto/ 2ª. versão (restauro), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com a arquiteta Maria Ângela Reis de Castro.
2011
Sede do IPLEMG (Instituto de Previdência do Legislativo de Minas Gerais) (arquitetura), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com os arquitetos Roberta Vieira Gonçalves de Souza, Marcelo Pinto Guimarães e Mateus Moreira Pontes.
Hospital ONCOMED (atual Hospital Orizonti) (ampliação/revitalização), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com a arquiteta Adriana Tonani Mazziero.
2012
Centro de Artesanato (arquitetura), Itaobim, MG.
Câmara Municipal de Mariana (restauro e ampliação), Mariana, MG. Em colaboração com o arquiteto Leonardo Barci Castriota.
Plano Diretor do Iate Tênis Clube (gerencial), Belo Horizonte, MG.
2014
Centro de Memória dos Xakriabás (arquitetura), São João das Missões, MG. Em colaboração com o arquiteto Paulo Roberto Sabino.
2015
Plano Diretor do Município de Brumadinho (urbanismo), Brumadinho, MG.
Desenho Urbano da Área central de Brumadinho (revitalização/urbanismo), Brumadinho, MG. Em colaboração com os arquitetos Rogério Palhares Zschaber de Araújo e Ana Lúcia Goyatá Campante.
Igreja Nossa Senhora da Piedade do Paraopeba (restauro), Brumadinho, MG. Em colaboração com a arquiteta Deise Lustosa.
2019/2020
Cemitério do Distrito Quilombola de Candeias (arquitetura), Conceição do Mato Dentro, MG.
2023
Iate Tênis Clube. Requalificação da paisagem cultural do conjunto moderno da Pampulha (requalificação/restauro), Belo Horizonte, MG. Em colaboração com os arquitetos Claudio Arroyo e Flávia Ghirotto e a historiadora Mônica Alicio Arroyo.
2024
Plano Diretor para a Fazenda Modelo de Pedro Leopoldo (considerações quanto ao patrimônio cultural), Pedro Leopoldo, MG.
Iate Clube Lagoa Santa (restauração e adaptação), Lagoa Santa, MG. Em colaboração com os arquitetos Marco Antônio Penido de Resende e Thereza Christina Nogueira Pereira.
2026
Uai-se Cream (interiores), Belo Horizonte, MG.
ANÁLISE DE PROJETOS
A fim de demonstrar um pouco da vasta gama de projetos e atuações do arquiteto, realiza-se a seguir a análise de dois projetos da carreira de Flávio Carsalade. Primeiro, um projeto urbanístico/paisagístico, o Parque Linear do Arrudas. Em um segundo momento, será analisada a Requalificação da Paisagem Cultural do Iate Tênis Clube.

Parque Linear do Arrudas
Arquitetos
Carlos Antônio Leite Brandão
Eduardo Mascarenhas
Fernando Gontijo Ramos
Flavio Carsalade
Humberto Carneiro
José Eduardo Ferolla
Jurema Marteletto Ruggani
Marcos Emídio Fonseca
Localização
Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
Tipo de projeto
Urbano
Status
Não construído
Ano
1989
CONTEXTO
O projeto foi concebido para o Concurso Nacional para a Reestruturação do Centro de Belo Horizonte (BH-Centro), lançado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) no ano de 1989. A proposta do concurso tinha enfoque na região central de Belo Horizonte e incorporava elementos arquitetônicos e paisagísticos urbanos ícones da cidade: o Parque Municipal, o Complexo Viário da Lagoinha, a Praça Raul Soares e a Praça Rui Barbosa. Esses locais eram onde os problemas urbanísticos se manifestavam com maior intensidade e, ao colocá-los em foco, a PBH tinha como objetivo maximizar os benefícios das intervenções.
A iniciativa do BH-Centro partiu da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTRANS), com o intuito de solucionar as problemáticas urbanas geradas pelas diretrizes de circulação por ela estabelecidas. Na época do concurso, a BHTRANS era duramente criticada pela sua atuação no interligamento de suas obras viárias - as obras de “arrasa quarteirões” - e, por isso, a proposta do concurso visava solucionar, por meio da arquitetura, a integração tanto entre essas obras, quanto a entre elas e o contexto urbano. O objetivo era intervir de modo a melhorar a qualidade do ambiente físico, reduzir a poluição visual e sonora, ampliar as áreas verdes, e facilitar os fluxos e deslocamentos existentes na região do Centro.
O resultado do concurso foi divulgado em 1990 e concedeu o prêmio de primeiro lugar à três equipes: a da coordenadora Ana Maria Schmidt, a do coordenador Mauricio Andrés Ribeiro e a do coordenador Manoel Rodrigues Alves, as duas primeiras vindas de Belo Horizonte e a última de São Paulo. Dessas equipes, PBH solicitou, por meio da comissão julgadora, a feitura de um projeto síntese, para compatibilizar e otimizar as soluções propostas. Embora os projetos vencedores terem sido ajustados para facilitar a implementação, a execução de fato ocorreu somente no final da década de 1990. O projeto da equipe em que Carsalade era participante ganhou menção honrosa.
PROJETO
A proposta apresentada pela equipe foi direcionada ao trecho ferroviário entre a Estação Lagoinha (rodoviária) e a Estação Central (praça da estação) do metrô de Belo Horizonte, inaugurado em agosto de 1986; estabelecendo uma conexão entre ambos os pontos e urbanizando seus arredores.

Como solução adotada, o projeto propõe o tamponamento do trecho ferroviário Lagoinha - Central, unindo áreas de vazios urbanos e qualificando-as em uma conexão caminhável e vegetada. A intervenção prevê também edificações novas e preserva edificações existentes, algumas delas históricas, todas com programas definidos. Além disso, há propostas de mudanças viárias e implementação de infraestrutura de mobilidade, com área desapropriada muito pequena em comparação com a escala das intervenções.


No início do trajeto, a rodoviária se interliga com a estação de metrô e um centro comercial por meio de uma passarela, criando um complexo de edificações. Dali, uma conexão caminhável leva ao segmento principal do parque.
Na seção principal, o trecho ferroviário entre Lagoinha e Central é tamponado, criando uma área verde extensa e uma percepção de topografia escalonada em três níveis, por conta dos "lajões" do tamponamento.

Embaixo desses "lajões" foram previstos usos, como centros comerciais e um "centro do artesão", possivelmente um centro cultural. As edificações históricas foram mantidas e transformadas em espaços de uso público, centros culturais, uma área destinada à CBTU, entre outros. Das novas edificações, destacam-se quatro torres de uso não especificado, além de diversas praças criadas pelos diferentes caminhamentos e um anfiteatro.
Sobre a mobilidade, percebe-se que foram criadas diversas passarelas e rampas, que cruzam o parque e transitam entre os diferentes níveis, assim como três pontos de circulação vertical. Duas passarelas foram criadas para fazer a travessia da Avenida do Contorno ao lado e os lajões passam por cima de algumas vias, deixando a área inteira livre para a circulação de pedestres.

Na segunda seção, na praça da estação, as intervenções são menos gritantes: há um tratamento da praça com desenho radial do calçamento que valoriza o edifício histórico, que abriga a estação de metrô.

Os quarteirões da frente são fechados, criando calçadões, que se ligam à praça por uma passarela criada para a travessia do Contorno. Ao lado da praça é proposto um museu de arte, que se conecta por meio de uma passarela que atravessa a Contorno com um edifício anexo de oficinas. A avenida recebe um corredor de ônibus em uma faixa central, criada pelo tamponamento do Arrudas.


Na seção final, o projeto termina com uma proposta de extensão do metrô (a partir daí subterrâneo) e a criação de um novo terminal de ônibus que se conecta com o Parque Municipal, amarrando uma grande área de conexão verde no centro da cidade com uma otimização das infraestruturas de mobilidade da área.
Requalificação da Paisagem Cultural do Iate Tênis Clube

Consultor
Flávio Carsalade - arquiteto
Equipe
Michele Arroyo - historiadora
Claudio Arroyo - arquiteto
Fernanda Ghirotto - arquiteta
Bruna Bueno - estagiária de arquitetura
Localização
Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
Tipo de projeto
Requalificação e restauro
Status
Em negociação
Ano
2023
CONTEXTO
Durante o mandato de Juscelino Kubitscheck como prefeito de Belo Horizonte, seu objetivo era promover os novos valores de progresso na capital, e colocá-la em pé de igual para igual com as grandes cidades do país. Tendo isso em vista, contratou o recém-formado arquiteto Oscar Niemeyer para projetar um complexo que transmitisse seu objetivo em um lado mais remoto do município. Assim, surgiu o Conjunto Paisagístico e Arquitetônico da Pampulha, formado ao redor da Lagoa que contém quatro obras: a Igreja Francisco de Assis, a Casa do Baile, o Cassino e o late Golf Clube (atual late Tênis Clube).
Diante disso, o Iate Tênis Clube foi inaugurado em 1942, com o objetivo de ser um espaço que fizesse referência a um veleiro navegando sobre a lagoa que se refletia no espelho d’água, se diferenciando dos outros projetos feitos pelo arquiteto na Lagoa da Pampulha, devido ao uso marcante de retas.

Com azulejos e pinturas de Cândido Portinari, e paisagismo feito por Burle Marx, o edifício que originalmente tem vista para o Cassino (atual Museu de Arte da Pampulha) e para a Igrejinha, tinha como intuito o lazer e o convívio familiar, através de atividades esportivas e de entretenimento.
Ele contava com garagem para barcos e lanchas, prédio com espaço social e esportivo, com um piso de tacos de madeira, vestiários, salão de cabeleireiro, hangar, cozinha, copa, lavanderia, restaurante, playground, piscina, e várias quadras ( três de ténis, e outra de basquete e vôlei. Sendo assim, uma joia da cidade, e um dos símbolos do Modernismo Brasileiro.

Em 1960 o clube foi a leilão, e passou a fazer parte da iniciativa privada, momento em que intervenções, que descaracterizaram o projeto, iniciaram por meio da administração do clube. Essas afetaram a ligação visual, essencial para o conceito original do complexo, entre a Igrejinha e o clube. Essas mudanças, se tornaram um problema, a partir dos processos de tombamento do Conjunto Moderno da Pampulha (1984 pelo IEPHA -Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico-, 1997 pelo IPHAN -Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-, e em 2003 pelo CDPCM-BH -Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Belo Horizonte-), principalmente o pela Unesco, que o transformou em Patrimônio Mundial da Humanidade no ano de 2016. Tendo desde o início, recomendado a retirada das áreas que fugiam do projeto original, que, atualmente, ameaçam colocá-lo na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo.

A UNESCO, no parecer final que concede ao Conjunto Moderno da Pampulha o título de Patrimônio Cultural Mundial na categoria de Paisagem Cultural, indica a necessidade de demolições dos anexos do Iate Tênis Clube, a recuperação da paisagem e do projeto de Burle Marx para o jardim contíguo ao Salão Portinari. Após uma série de desdobramentos e impasses entre a Prefeitura de Belo Horizonte e o clube durante dez anos, o diálogo foi retomado e para o avanço das negociações, a Prefeitura apontou um estudo de viabilidade arquitetônica, o projeto aqui analisado, para que então seja aprovado em todos os órgãos envolvidos para posterior encaminhamento à UNESCO.
PROJETO
Tratando-se de um projeto de requalificação de paisagem, os princípios projetuais são essenciais e determinantes para o sucesso do projeto. Neste caso, eles são os seguintes: Recuperação da paisagem da Pampulha, retirando as agressões causadas pelos anexos do Iate; Recuperação dos espaços públicos e vistas/visadas para o clube e desde o clube; Manutenção das construções existentes que possam ser harmônicas com a paisagem e acréscimo de outras que sejam necessárias ao funcionamento do clube de maneira também harmônica com as exigências patrimoniais; Qualificação da paisagem interna e ambiência do clube; Recuperação da orla da av. Otacílio Negrão de Lima em seu encontro com o clube e no encontro deste com o Lago; Redução de custos de execução de maneira a viabilizar a sua execução.


Nesse contexto, entende-se que o principal foco da requalificação é conciliar o uso do clube com a recuperação da paisagem cultural protegida. O projeto alcança esse objetivo de forma leve e eficiente ao alocar os usos do clube que estavam nos níveis acima da Avenida Otacílio Negrão de Lima em um nível abaixo, sendo imperceptível do nível da via.
É essencial destacar a retomada da vista da Lagoa para o espaço público, além da criação de uma praça pública para a apreciação da paisagem e encontro social.
Na situação atual não há visada para a Lagoa nem espaços de uso público, o que é solucionado com a criação da praça e da retirada do pavimento no nível acima da avenida, como dito anteriormente.




Além disso, através da requalificação há uma devolução da visada do Salão Portinari para o pedestre, situação que não ocorre atualmente.
Ademais, outro aspecto importantíssimo da requalificação é a retomada da leitura de orla.
Vê-se que atualmente há uma leitura do clube como edifício, anulando a paisagem da beira da Lagoa da Pampulha. Assim, com as mudanças propostas, observa-se um retorno da leitura da paisagem anterior às descaracterizações.




Analisando as plantas, é possível ter um visão panorâmica das mudanças de implantação, propostas no projeto e a nova setorização, demarcando claramente onde se encontram as partes que serão retiradas e adicionadas, como o programa foi adaptado à nova conformação e como acontecerá a circulação de pedestres ao longo do clube, que teve seus acessos significativamente melhorados no projeto.


Um aspecto importante da requalificação são os detalhes que tornam possível o uso do clube pelos sócios sem a interferência do uso público de praça na laje. No corte, vê-se a intenção da demolição do pavimento que atrapalha a visibilidade da lagoa e o detalhe da laje que se estende e finaliza com formato trapezoidal, impedindo que o pedestre consiga visualizar os usuários do clube na piscina.


Com a remoção de um pavimento do clube, algumas áreas tiveram de ser realocadas, e para que isso fosse feito diminuindo a área edificada visível sem prejuízo ao funcionamento, adotou-se a criação de espaços semi-enterrados. Os vestiários estão logo abaixo das quadras, em um local estratégico, trazendo conforto e otimização ao uso.
Ao observar o corte da avenida, entende-se que as decisões de projeto de semi enterrar o vestiário são realizadas valorizando o pedestre mas ainda permitindo a privacidade do vestiário através do jardim, que opera como uma barreira até a janela do vestiário.

Sendo assim, entende-se que o projeto requalifica com sucesso a paisagem cultural do Iate Tênis Clube protegida pela UNESCO, conciliando a restauração do bem com a continuação do funcionamento do clube sem complicações.
REFERÊNCIAS
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AUTORES:
Ana Clara Rocha Mucci
Maria Eduarda Seelig Pinheiro
Mariana Silva Rodrigues
Marina Metzker Pifano de Melo
Vittório Pujatti de Mattos




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