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Joel Campolina

Foto do escritor: ACR 113
ACR 113
8 de jun.
13 min de leitura
FIGURA 01: Arquiteto Joel Campolina
Figura 01: Arquiteto Joel Campolina

BIOGRAFIA

Nascido em 7 de julho de 1947 em Belo Horizonte, Minas Gerais, Joel Campolina é um arquiteto e urbanista cuja trajetória se caracteriza por uma produção investigativa, marcada pela experimentação formal e pelo desenvolvimento de uma linguagem própria. 

Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1972, Campolina posteriormente especializou-se em urbanismo pela própria UFMG – em 1973 – e em housing studies na International Housing Education Bouwncentrum, na Holanda, em 1976. Mais tarde, obteve seu mestrado em Estruturas Ambientais Urbanas pela Universidade de São Paulo (USP), em 1986, e seu doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela mesma instituição, em 1992, que foi orientado pelo arquiteto brasileiro e professor da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP), Siegbert Zanettini.

Sua trajetória pode ser dividida em quatro fases, e inicia-se com um interesse em estruturas modulares tridimensionais, presentes em projetos como centros sociais, edifícios administrativos e propostas para equipamentos públicos. Alguns de seus principais projetos que podem ser destacados dessa fase são o Centro Social-Urbano em Leopoldina, o Ed. Sede Administrativa da Siderurgica Minaço em Várzea da Palma e os protótipos para novos padrões de edifícios escolares em estrutura metálica para a CARPE/MG.

Entre 1983 e 1989, em sua segunda fase, Campolina procura absorver e refletir manifestações construtivas contemporâneas, típicas das fricções culturais da cena urbana brasileira, introduzindo nessas expressões vernaculares brasileiras, influências do vocabulário arquitetônico internacional. Desta fase, destacam-se projetos como o Ed. Serramares, a Galeria Portais, o Ed. London/BH e o Terminal/Centro Cultural do Méier.

Nesse período – entre 1983 e 2004 –, ele também atuou como professor da Escola de Arquitetura da UFMG, ministrando disciplinas de atelier de projeto em um regime não exclusivo de 40 horas semanais, contribuindo, assim, para a formação acadêmica de arquitetos e para o debate arquitetônico em Minas Gerais.

Em sua terceira fase que ocorre entre 1989 e 1993, o arquiteto passa a integrar tentativas de materialização para conceitos filosóficos abstratos como equilíbrio instável, imperfeito-perfeito, harmonizações assimétricas e est(éticas) interticiais ao desenvolvimento dos seus projetos, incorporando-os aos seus diálogos paradoxais anteriores. Dentre as obras desse período destacam-se a Casa RVR47, o Ed. Sede do Demetrô, a Fábrica de Confecções Carmim/SP e as propostas para o Fórum de Tóquio e para o Pavilhão do Brasil em Sevilha.

A partir de 1993, inicia-se a sua quarta (e atual) fase, que se caracteriza pela utilização da computação gráfica aplicada a desenvolvimentos multimediais, caderno de esboços eletrônicos, croquis digitais e modelagens dinâmicas CAD/CAV-3D simplificadas. Dessa fase, surgem projetos como o Planetário de Belo Horizonte, as rearquiteturas FACE/FCH FUMEC Campus 1, o Ecolab, e a Estação BRT Pampulha.

Desta maneira, sua arquitetura propõe a construção de uma harmonia entre o vernacular e a tecnologia contemporânea, sempre inserida em contextos urbanos complexos e dinâmicos, refletindo a diversidade e as transformações constantes das cidades brasileiras.

Em 1983, foi estabelecido e consolidado o escritório JCA (Joel Campolina Associados Ltda. Arquitetura, Urbanismo e Consultoria). Em 2000, com o escritório já mais estruturado, ele se transformou na arqStudio.br Joel Campolina e Associados Ltda. Com a pandemia da COVID-19, porém, uma mudança foi necessária e o trabalho em home office foi instituído, marcando uma nova fase para o escritório, que passou a se chamar arqStudioJCA Arquitetura, Urbanismo e Consultoria Ltda. Assim, a partir de 2023, o escritório adotou um modelo híbrido de atuação, conciliando atividades presenciais e remotas.


LISTA DE PROJETOS (FEITOS PELO arquiteto e seu escritório)


OBRAS CONSTRUÍDAS

  • 1980(?) – Casa Mendes Carvalho, R. Odilon Braga, Belo Horizonte, MG1983 – CSU Leopoldina (Centro Social Urbano), bairro Bela Vista, Leopoldina, MG

  • 1984 – Conjunto Estrela D’Alva, região Oeste de Belo Horizonte, MG – iniciativa pioneira do Inocoop-Centrab 

  • 1984 – Edifício Serramares, R. Santa Rita Durão, Belo Horizonte, MG

  • 1984 – Bairro Vila da Serra, divisa com os municípios de Nova Lima e Belo Horizonte, MG – com os consultores complementares engenheiro Manuel Alves dos Santos Filho (infraestrutura e saneamento básico) e engenheiro Roberto Messias Franco (ecossistemas e meio ambiente)

  • 1985 – Edifício Contorno, Av. do Contorno, Belo Horizonte. MG – marca o pioneirismo do engenheiro Miguel Safar

  • 1989 – Edifício Portais, R. Rio Grande do Sul, Belo Horizonte, MG – marca o pioneirismo do engenheiro Miguel Safar

  • 1990 – Sede Administrativa Siderúrgica Minaço, Várzea da Palma, MG

  • 1992 – Edifício-Ponte, Av. Nossa Senhora do Carmo, Belo Horizonte, MG (parte da tese de doutorado, FAUUSP) – com a orientação do professor arquiteto mestre Siegbert Zanettini

  • 1992 – Edifício Nossa Senhora do Carmo, Av. Nossa Senhora do Carmo, Belo Horizonte, MG – com o engenheiro Miguel Safar

  • 1992 – Casa RVR47, R. Vicente Racioppi, 47, Belo Horizonte. MG

  • 1997 – Edifício Castelo, Av. Afonso Pena, Belo Horizonte, MG

  • 2000 - 2006 – Retrofit FACE/FHC FUMEC, Belo Horizonte, MG – em parceria com Gabriel Aun

  • 2010 - 2012 – Estação BRT Pampulha, na confluência da Av. Pedro I com a Av. Portugal, Belo Horizonte, MG


OBRAS IDEALIZADAS (majoritariamente concursos)

  • 1975 – Sede IBGE MG (segundo lugar no Concurso Público de Arquitetura IAB/MG) – em colaboração com Hélio Marquês

  • 1975 – Habitação Social nas Filipinas, Dagat-Dagatan, Manila, Filipinas (participação no Concurso Internacional de Arquitetura patrocinado pela UIA) – em colaboração com Mauricio Andrés

  • 1976 – Subdistritos Habitacionais em Distritos Industriais, Contagem, MG (monografia conclusiva, Browncentrum IHS) – com a orientação do professor arquiteto PhD Paul Barros

  • 1977 – Biblioteca Central do Iran, Teheran, Irã (proposta apresentada para o Concurso Internacional de Anteprojetos para a Biblioteca Central do Iran) – em colaboração com Miguel Vorcaro

  • 1977/1983/2015/2019 – Propriedades MBR-VALE, Nova Lima, MG – projeto intermitente (parado e retomado múltiplas vezes) realizado por um time multidisciplinar coordenado pelo economista Raimundo Nonato de Castro

  • 1978/1979 – Hotel Boa Esperança, Boa Esperança, MG

  • 1978/1979 – Hotel Fortaleza, Fortaleza, CE

  • 1981/1982 – Núcleo de Pesquisas Pedagógicas do CRHJP, Belo Horizonte, MG

  • 1983 – Casa do Jornalista, Av. Álvares Cabral, Belo Horizonte, MG (menção honrosa no Concurso Público de Arquitetura IAB/MG)

  • 1983 – Escolas Secundárias Carpe MG, Juíz de Fora, MG (duas soluções; dois primeiros lugares no Concurso Público de Arquitetura IAB/MG)

  • 1986 – Habitat Gameleira, Belo Horizonte, MG (dissertação de mestrado, FAUUSP) – com a orientação do professor arquiteto mestre Siegbert Zanettini

  • 1988 – Indústria Carmim, São Bernardo do Campo, SP (participação na Feira da Indústria da Construção FEICON)

  • 1988 – Sede Demetrô, R. Senador Bitencourt, Belo Horizonte, MG (primeiro lugar no Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/MG)

  • 1989 – Fórum de Tokio, Tóquio, Japão (finalista do Concurso Internacional de Arquitetura do Museu do Grande Egito UIA)

  • 199? – Centro de Referência Sebrae, MG

  • 1990 – Torre La Defense, Paris, França (proposta apresentada para o Concurso Internacional de Arquitetura UIA)

  • 1991 – Pavilhão do Brasil, Sevilha, Espanha (menção honrosa no Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/DN; participação na Feira de Sevilla) 

  • 1993 – Revitalização do Hipercentro de BH, Belo Horizonte, MG (menção honrosa no Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/MG)

  • 1995 – Centro Cultural Usiminas Ipatinga, Ipatinga, MG (segundo lugar no Concurso Público de Arquitetura IAB/MG)

  • 1995 – Sede do IPHAN, Brasília, DF (proposta apresentada para o Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/MG)

  • 1998 – Terminal Méier, Rio de Janeiro, RJ (primeiro lugar no Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/DN)

  • 1999/2008 – Planetário UFMG, Campus Pampulha, Belo Horizonte, MG

  • 2000 – Ministério de Relações Exteriores do Chile, Santiago, Chile (participação no concurso aberto) – com a colaboração de Baltazar Miranda, Tomas Santelices e Julio Langarine 

  • 2002 – Museu Egípcio, Cairo, Egito (proposta apresentada para o Concurso Internacional de Arquitetura UIA) – em colaboração com Angelo de Castro

  • 2003 – ECOLAB Campus 1 FEA FUMEC, Belo Horizonte, MG

  • 2004 – Museu Nam June Paik, Gyeonggi-do, Coréia do Sul (proposta apresentada para o Concurso Internacional de Arquitetura UIA)

  • 2005 – Museu da Tolerância, Brasil (proposta apresentada para o Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/DN)

  • 2005 – Sede da Petrobrás, Vitória, ES (proposta apresentada  para o Concurso Público  Nacional de Arquitetura IAB/DN)

  • 2005 – Biblioteca Pública de Guadalajara, Av. Periférico Norte, Guadalajara, México (proposta apresentada após a etapa classificatória do Concurso Público Internacional de Arquitetura)

  • 2005/2022 – Habitat Guhenda e Residencial Guhenda Séc. XXI, Nova Lima, MG

  • 2006 – Bloco A1 ArqUrb Campus UNIBH Buritis, esquina da Av. Mário Werneck com a R. José Rodrigues Pereira, Belo Horizonte, MG

  • 2006 – Campus Universidade Federal ABC, Santo André, SP (proposta apresentada para o Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/DN)

  • 2008 – Parque Tecnológico UFMG, adjacente à Av. Carlos Luz, Belo Horizonte, MG (proposta apresentada para o Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/DN)

  • 2008 – Dubai Tower, Parque Za’abeel, Dubai, Emirados Árabes Unidos (proposta apresentada em evento internacional do governo local)

  • 2008 – Teatro Municipal de Londrina, Londrina, PR (proposta apresentada para o Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/DN)

  • 2008 – Mercado Público, Blumenau, SC (proposta apresentada para o Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/DN)

  • 2008 – Sede da CREAPR, Curitiba, PR (proposta apresentada para o Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/DN)

  • 2008 – Escola Fundamental CODHAB, Brasília, DF (proposta apresentada para o Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/MG)

  • 2009 – Central de Consultórios UNIMED, Belo Horizonte, MG

  • 2011 – Montplam Mall, Monlevade, MG

  • 2013 – Multivilas Aglomerado Santa Isabel, Av. Afonso Pena, Belo Horizonte, MG – parte do Programa de Parcerias em Aglomerados Isolados e de Pequeno Porte (PAIP)

  • 2014 – ASTROTUR, Sete Lagoas, MG

  • 2014 – Sede Administrativa da PBH, estação Lagoinha ou Savassi do metrô, Belo Horizonte, MG (proposta apresentada para licitação no Concurso Público Nacional de Arquitetura da PBH)

  • 2014/2020 – Travessia Aérea Boulevard, Belo Horizonte, MG

  • 2014/2021/2023 – InterAct-Museu da Luz, Parque das Mangabeiras, Belo Horizonte, MG

  • 2015 – Casa Sustentabilidade, Brasil (proposta apresentada para o Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/DN)

  • 2015 – Sede Grupo CORPO, MG (proposta apresentada para o Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/MG)

  • 2015/2020 – Habitat Águas Claras, divisa entre os municípios de Nova Lima e Belo Horizonte, MG

  • 2015 – Pavilhão do Brasil, Milão, Itália (proposta apresentada para o Concurso Público de Arquitetura IAB/DN para a participação na Feira de Milano)

  • 2016 – Sede do CAUBR, Brasília, DF (proposta apresentada para o Concurso Público Nacional de Arquitetura IAB/DN)

  • 2018 – APÉVIA Circuito Centro-Sul, Belo Horizonte, MG

  • 2018 – Sistema TRON (Sistema Alternativo de Transporte Intraurbano Rápido de Massa por Ônibus)

  • 2019 – CAPSR: Centro de Atividades Parque Serras Ferruginosas, Carajás, PA

  • 2019 – Presídios Verticais Masculinos de Segurança Média Humanizados e de Construção Rápida, Ribeirão das Neves, MG

  • 2021 – Retrofit Hotel Toronto, R. Ceará, Belo Horizonte, MG


EDIFÍCIO SERRAMARES

Figura 02: Fachada Serramares
Figura 02: Fachada Serramares

FICHA TÉCNICA


Endereço: R. Santa Rita Durão, 347 - Funcionários, Belo Horizonte - MG

Tipologia de uso: Residencial e Comercial 

Padrão Arquitetônico: Pós-Modernismo/Brutalismo

Ano de Início de Obras: 1982

Ano de conclusão: 27/07/1984

Área do terreno: 1200 m²

Número de pavimentos: 18

Número de unidades: 72 residenciais





O Edifício Serramares nasce da junção de dois terrenos estreitos de 10 x 60 m. A história que o arquiteto conta é que ele tinha recebido de herança esse lote que ninguém achava bom, por ser muito estreito, e depois de uma conversa com seu amigo, que era dono do lote ao lado, decidiram firmar parceria para viabilizar a construção do mesmo, era uma proposta que pra época não era muito comum, um prédio de uso misto com apartamentos tipo studio. O empreendimento foi um sucesso com todas as suas unidades vendidas no segundo mês de lançamento.


O mural feito no hall da portaria residencial mostra os primeiros croquis do edifício na qual a concepção já pensava no conforto térmico dos apartamentos, mudando a direção das aberturas para sul evitando a mancha solar, na foto a esquerda é possível ver uma abertura zenital e um teto curvo feito em concreto armado.


Figura 03: Foto Interna Hall de Entrada
Figura 03: Foto Interna Hall de Entrada
Figura 04: Painel no hall da portaria residencial Croquis iniciais do arquiteto/1984;
Figura 04: Painel no hall da portaria residencial Croquis iniciais do arquiteto/1984;





















O desenvolvimento do Edifício Serramares exigiu soluções construtivas pouco usuais devido à sua configuração arquitetônica. A proposta do arquiteto deslocou o conjunto de escadas e elevadores como um bloco frontal que demarca a fachada e configurou o lado esquerdo como passarelas externas em balanço com circulações semiabertas, e o lado direito como apartamentos, para trazer leveza para o projeto as extremidades dos apartamentos foram realizadas em balanço, que foi solucionado estruturalmente através de lajes atirantadas em um pilar-parede, o que demandou uma compatibilização rigorosa entre arquitetura, estrutura e instalações.


Figura 06: Esquema da Estrutura
Figura 06: Esquema da Estrutura
Figura 05: Croqui Inicial
Figura 05: Croqui Inicial

Figura 07: modelo 3D
Figura 07: modelo 3D

O desenho do edifício resultou em "duas fachadas", quando visto de oeste uma fachada seria e racional com linhas retas e a materialidade do concreto aparente também é onde fica a entrada da área comercial, do lado leste uma fachada acolhedora e leve devido ao descolamento do terceiro pavimento e do tijolo cerâmico de requeima aparente.

 Figura 08: Fachada Frontal Vista da rua
Figura 08: Fachada Frontal Vista da rua

A configuração do pavimento comercial possui acesso pela parte mais alta do terreno e cria uma área de espera externa integrada com o jardim.


Figura 09: Acesso Área Comercial
Figura 09: Acesso Área Comercial
Figura 10: Portaria Comercial
Figura 10: Portaria Comercial

A área comercial possui dois pavimentos, sendo que o primeiro deles contém escritórios com mezaninos e um jardim interno com aberturas zenitais, e o segundo, uma clínica odontológica que foi inserida no espaço do corredor.


Figura 11: Planta Primeiro Pavimento - Comercial
Figura 11: Planta Primeiro Pavimento - Comercial
Figura 12: Planta Segundo Pavimento - Comercial
Figura 12: Planta Segundo Pavimento - Comercial
Figura 13: Exemplo interior do escritório 2, lado esquerdo do corredor
Figura 13: Exemplo interior do escritório 2, lado esquerdo do corredor

Figura 14: Fachada Entrada Residencial.
Figura 14: Fachada Entrada Residencial.

A entrada da portaria residencial é realizada pela parte mais baixa do terreno, sendo também a entrada de veículos para os pavimentos de garagem. Originalmente a entrada não possuía fechamentos, porém conforme a necessidade surgiu, os mesmos foram instalados.


Figura 15: Planta Primeiro Subsolo - Residencial.
Figura 15: Planta Primeiro Subsolo - Residencial.
Figura 16: Planta Segundo Subsolo - Residencial.
Figura 16: Planta Segundo Subsolo - Residencial.
Figura 17: Planta Detalhe Hall- Primeiro Subsolo - Residencial
Figura 17: Planta Detalhe Hall- Primeiro Subsolo - Residencial


A entrada residencial é realizada pela direita da construção se passa por um corredor que da acesso ao hall de elevadores e escada, que possui um jardim de inverno iluminado por abertura zenital. Ao sair do elevador, você é surpreendido pelo corredor projetado por Campolina com um fechamento curvo feito por vidros planos e esquadria única que permite a ventilação continua (Figuras 18 e 19).






Figura 18: Corredor Projetado
Figura 18: Corredor Projetado
Figura 19: Corredor Construído
Figura 19: Corredor Construído














Cada pavimento conta com uma serie de 6 apartamentos tipo studio de 45 m² contando com quarto, sala, banheiro, lavabo, cozinha e área de serviços. Eles possuem esquadrias de piso a teto que so foram possíveis devido as abertura serem orientadas a noroeste permitindo uma baixa incidência solar e uma ventilação semipermanente, como visível em corte (Figura 23).


Figura 20: Planta Pavimento Tipo 4º ao 13º Pavimentos
Figura 20: Planta Pavimento Tipo 4º ao 13º Pavimentos
Figura 22: Planta Publicitaria Original
Figura 22: Planta Publicitaria Original
Figura 21: Planta Reinventada
Figura 21: Planta Reinventada
Figura 23: Ventilação cruzada em corte
Figura 23: Ventilação cruzada em corte

No décimo quarto pavimento ficam as coberturas com apartamentos duplex de 75 m² originalmente imaginados com uma escada caracol, mas posteriormente existem alguns que foram reformados e adaptados para o uso atual.


Figura 24: Planta 14º Pavimento - Duplex
Figura 24: Planta 14º Pavimento - Duplex

Figura 25: Duplex Reinventado
Figura 25: Duplex Reinventado
Figura 26: Duplex Reinventado
Figura 26: Duplex Reinventado
Figura 27: Duplex Reinventado
Figura 27: Duplex Reinventado

O terceiro pavimento conta com um pavimento em pilotis que é uma área comum que originalmente foi pensada com espaço de caminhada sala de reunião e um conjunto de equipamentos para musculação que infelizmente esta subutilizado.


Casa RVR47 (Residência do Arquiteto)

Figura 28: Fachada Casa RVR47
Figura 28: Fachada Casa RVR47
Figura 29: Croqui original
Figura 29: Croqui original

FICHA TÉCNICA


Endereço: R. Vicente Racioppi, 47 - Mangabeiras, Belo Horizonte - MG

Tipologia de uso: Residencial

Ano de conclusão: 1992

Área do terreno: 600 m²

Caimento do terreno: 4 m (para o fundo)

Número de pavimentos: 4 níveis




A Casa RVR57, também conhecida como Residência do Arquiteto, foi idealizada para integrar o lugar no qual ela se insere, não interrompendo bruscamente a vista para o pôr-do-sol e para o horizonte da cidade. O novo volume edificado deveria partir do equilíbrio-instável e da assimetria da forma, buscando um "ideal estético". O andar inferior se acomodaria à topografia acidentada original (com um declive de 4 m em relação à rua).


Figura 30: Casa RVR47
Figura 30: Casa RVR47

Sua fachada simples utiliza materiais brutos, e não é muito adornada e nem possui grandes aberturas. A ideia era que os moradores tivessem o prazer da descoberta, e "conquistassem" a vista diariamente através da curiosidade.


Na obra acabada, conexões simbólicas marcariam paradoxos – a estrutura sofisticada treliçada versus a cobertura em telhas de barro, e a massa solidamente ancorada no terreno versus o grande semi-balanço estrutural livre de apoio, por exemplo.






Figura 31: Casa RVR47
Figura 31: Casa RVR47

As cores naturais dos materiais brutos (cinza, ocre, verde) seriam contrastadas pela adição de cores primárias e secundárias, colocadas sutilmente através casa, em detalhes – principalmente estruturais, como grades metálicas vermelhas e colunas azuis, por exemplo.


Com aproximadamente 200 m² de área construída, a casa foi concluída em 2018 e apresenta uma proposta contemporânea voltada para a flexibilidade dos usos e para a otimização dos espaços. A combinação entre estrutura aparente, planta adaptável e integração dos ambientes resulta em uma residência que procura responder às transformações da vida cotidiana sem exigir grandes intervenções futuras.


Figura 32: Corte esquemático da casa
Figura 32: Corte esquemático da casa

A Casa RVR47 foi projetada em quatro níveis. Os níveis superiores intendiam um uso familiar e privado enquanto que os níveis inferiores foram pensados para um uso mais social. No nível em contato com a rua, estão presentes a garagem, o escritório/biblioteca, um depósito, um quarto de hóspedes e um banheiro social completo. Descendo para o pavimento inferior através de uma escada mais larga, ele conta com uma área social aberta diretamente para o terreno (que possui um pátio com piscina e um pavilhão de apoio), salas de jantar e de estar amplas, uma cozinha americana e todos os demais aposentos de serviço – dois aposentos para funcionários, lavanderia, despensa e etc.


Subindo para o pavimento superior, através de um escada de largura intermediária, estão presentes os ambientes privativos da família, com quatro dormitórios (sendo duas suítes e dois quartos simples que dividem um terceiro banheiro), uma mini cozinha para a preparação de pequenos lanches e um módulo de estar íntimo (o módulo treliçado). Seguindo por uma escada mais estreita, temos o acesso ao sótão, que conta com um varandão, um estúdio/ateliê, e, embaixo do telhado, nichos para depósito e as caixas d'água.


Figura 33: Plantas do sótão, pavimento superior, pavimento inferior e pavimento no nível da rua (respectivamente, da esquerda para a direita, de cima para baixo)
Figura 33: Plantas do sótão, pavimento superior, pavimento inferior e pavimento no nível da rua (respectivamente, da esquerda para a direita, de cima para baixo)
Figura 34: Vista interna do pavimento inferior
Figura 34: Vista interna do pavimento inferior

Uma curiosidade interessante sobre a arquitetura de Campolina, que se encontra presente na Residência do Arquiteto, é a utilização de paredes com ângulos de 45° que servem como anteparo visual interno e se encontram verticalmente (a parede de vidro do pavimento inferior está logo abaixo da parede da garagem, que, por sua vez, se encontra logo abaixo da parede curva do banheiro da suíte do casal).

Figura 35: Vista interna da escada de acesso ao sótão
Figura 35: Vista interna da escada de acesso ao sótão


A linguagem adotada privilegia formas simples e uma composição volumétrica limpa, evidenciando os elementos construtivos e a organização espacial do projeto. Quatro portais simbólicos marcam as transições entre exterior/interior e coletivo/privado. Dessa forma, a essência da arquitetura dos interiores se apresenta ao longo dos espaços de transição como corredores, halls, escadas e sala multiuso.






A Casa foi, desde então, vendida e bastante descaracterizada pelos novos proprietários – segundo Campolina –, surgindo interferências nos fechamentos periféricos e alterações nos padrões e na cor dos revestimentos externos originais, apesar de a obra ainda manter sua volumetria original.


Figura 36: Vista interna da casa mais recentemente, descaracterizada pelos novos proprietários
Figura 36: Vista interna da casa mais recentemente, descaracterizada pelos novos proprietários

REFERÊNCIAS

  • ARQUITETO JOEL CAMPOLINA. In: arqSTUDIO.br ARQUITETOS. Disponível em: http://arqstudio.com.br/site/index.php?p=joel-campolina.html. Acesso em: 22 mar. 2026.

  • CAMPOLINA, Joel. Traduzir-se: pensamentos, propostas, projetos e obras. 1. ed. Belo Horizonte, MG: Ed. do Autor, 2023.

  • FRANCHINI, Marcos; BOM CONSELHO, Nattalia. Apto Serramares. Belo Horizonte, mar. 2017. Disponível em: https://mfranchini.com/blog/portfolio_page/apto-serramares/. Acesso em: 9 jun. 2026.

  • JOEL CAMPOLINA. In: Escavador. Disponível em: https://www.escavador.com/sobre/1052894/joel-campolina. Acesso em: 22 mar. 2026.

  • LOFT mineiro com toques retrô. Casa Vogue, 23 mai. 2014. Disponível em: https://casavogue.globo.com/Interiores/apartamentos/noticia/2014/05/loft-mineiro-com-toques-retro.html. Acesso em: 8 jun. 2026.

  • PAMPULHA: Revista de Arquitetura, Design, Arte e Meio Ambiente. Belo Horizonte: Caminho Novo Empresa Jornalística e Editora Ltda, N° 01. Nov. - Dez. 1979. p. 38 - 39.

  • PAMPULHA: Revista de Arquitetura, Design, Arte e Meio Ambiente. Belo Horizonte: Caminho Novo Empresa Jornalística e Editora Ltda, N° 07. Ago. - Set. 1982. p. 38 - 41.

 
 
 

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