LEIKO HAMA MOTOMURA

Leiko Hama Motomura é uma arquiteta e urbanista paulistana reconhecida como uma das pioneiras, no Brasil, no uso arquitetônico de materiais alternativos e sustentáveis, especialmente bambu, além de madeira de reflorestamento, componentes reaproveitados e sistemas de baixo impacto ambiental. Nascida em 1946, formou-se pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie em 1970 e mais tarde se especializou em arquitetura ambiental voltada à preservação do meio ambiente e à sustentabilidade.
Em sua trajetória profissional, ainda estudante do primeiro ano de graduação em Arquitetura, venceu, em 1966, o concurso para a criação da marca-símbolo da extinta Rede Ferroviária Federal S.A. - RFFSA. Na entrevista preservada pelo Ministério dos Transportes (RFFSA, 2015), ela relata que o projeto nasceu de uma disciplina de comunicação visual ministrada pelos professores Ubirajara Ribeiro e Maurício Nogueira Lima na Faculdade de Arquitetura da Universidade Mackenzie, e que a ideia do símbolo originou-se da leitura gráfica do entroncamento dos trilhos, associando movimento, direção e memorização visual. O resultado reflete sua atenção ao desenho, à síntese formal e à legibilidade.

Sua experiência profissional durante a graduação inclui, ainda, trabalhos com os arquitetos Joan Villà, seu professor, e Ruy Ohtake (no projeto de uma casa encomendada ao arquiteto por sua família).
Já formada, foi contemplada com uma bolsa de estudos no Japão em 1971. De volta ao Brasil, trabalhou como arquiteta júnior nas empresas Hidroservice Engenharia e Figueiredo Ferraz Consultoria e Engenharia de Projetos, nas quais participou de grandes projetos e obras (aeroportos, grandes centros administrativos etc.).
Sua inflexão decisiva para a sustentabilidade ocorreu em meados dos anos 1980. Segundo o CAU/BR (S. d.) e a FNA (2021), ela passou a atuar de forma mais sistemática na construção sustentável a partir de 1985, depois de participar, em Munique (Alemanha), de um encontro sobre arquitetura solar passiva. Em entrevista, a arquiteta relatou que tal evento foi decisivo para despertar seu interesse pela arquitetura passiva e pelas questões ambientais, levando-a a aprofundar seus estudos sobre conforto ambiental, iluminação natural, ventilação e desempenho dos materiais.
Leiko Motomura relatou que, ao longo de sua carreira, buscou complementar constantemente sua formação por meio de livros, cursos, pesquisas, consultorias e contatos profissionais, seminários e congressos, no Brasil e em viagens ao exterior, demonstrando uma postura de permanente atualização e curiosidade intelectual.
A arquiteta também destacou a influência da arquiteta Anésia Barros Frota, consultora em conforto ambiental e parceira de trabalho durante sua trajetória, e ressaltou a importância da atuação em parceria com especialistas e consultores capazes de complementar os conhecimentos do arquiteto. Essa valorização do trabalho conjunto explica, em parte, a consistência técnica de seus projetos e sua capacidade de integrar diferentes estratégias ambientais em uma mesma proposta arquitetônica.
O interesse pelo bambu, material que se tornaria uma das marcas de sua produção, surgiu a partir da leitura de uma revista técnica que apresentava pesquisas relacionadas a estruturas de fibras vegetais, estruturas mistas utilizando o bambu, associadas ao arquiteto Renzo Piano. A partir desse contato inicial, Leiko Motomura passou a participar de congressos, ampliar sua rede de contatos e estudar experiências internacionais, especialmente na Colômbia, país reconhecido pelo desenvolvimento de tecnologias construtivas com bambu, onde teve contato com o arquiteto Simón Vélez. A arquiteta também buscou apoio de instituições de pesquisa brasileiras, como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e o Laboratório de Madeiras e Estruturas (LaMEM) da Escola de Engenharia de São Carlos - Universidade de São Paulo, que colaborou no desenvolvimento técnico e nos cálculos estruturais utilizados no projeto do Centro Max Feffer.
Do seu trabalho, resultado de um processo, já mencionado, de formação e pesquisa contínuas, destacam-se:
a influência da arquitetura ambiental/passiva, com ênfase em ventilação natural, iluminação zenital, controle solar, permeabilidade do solo, reuso de água e redução de consumo energético. Isso não aparece em sua obra como tecnologia “de vitrine”, mas como integração sistemática entre implantação, cobertura, materiais e desempenho ambiental, com a incorporação de elementos e ferramentas nos próprios projetos;
a pesquisa construtiva com bambu. As fontes do ArchDaily e do CAU/BR enfatizam que Leiko Motomura não usa o bambu apenas como acabamento decorativo, mas como matéria estrutural e como campo de experimentação técnica. Teses acadêmicas sobre bambu citam sua obra como referência para sistemas de cobertura, conexões e malhas/fôrmas.
Leiko Motomura, nas fontes públicas consultadas, afirma não existir um material “verde” de forma absoluta; a avaliação depende de contexto, reciclabilidade, pós-uso, toxicidade, localidade e adequação ao problema arquitetônico. Essa postura é importante porque a afasta de uma visão simplista de sustentabilidade como um catálogo de soluções prontas.
Em vez disso, o trabalho da arquiteta busca articular diferentes estratégias voltadas à sustentabilidade e à responsabilidade ambiental, priorizando o uso de materiais com baixa energia incorporada, o reaproveitamento de recursos e a demolição seletiva. Seus projetos valorizam o conforto ambiental obtido por meios passivos, a adequação da implantação às condições climáticas e às características do sítio, além da adoção de sistemas construtivos experimentais que permaneçam tecnicamente viáveis. Dessa forma, sua produção integra princípios éticos relacionados ao meio ambiente com uma expressão formal coerente e inovadora.
Leiko Motomura, em seu depoimento, ressaltou ainda o trabalho do arquiteto japonês Shigeru Ban e os estudos em sustentabilidade do físico austríaco Fritjof Capra como referências em seu trabalho.
Carreira e escritório
Além da já mencionada experiência profissional durante a graduação com os arquitetos Joan Villà e Ruy Ohtake e, após formada, nas empresas Hidroservice Engenharia e Figueiredo Ferraz Consultoria e Engenharia de Projeto, a maior parte da carreira da arquiteta Leiko Hama Motomura foi desenvolvida em escritório próprio.
Em 2006, Leiko Motomura fundou, em Cotia/SP, o escritório AMIMA – Arquitetura de Mínimo Impacto sobre o Meio Ambiente, apontado como referência em arquitetura sustentável (CAU, S.d.). O ArchDaily (DELAQUA, 2015) a apresenta como fundadora do escritório e ressalta seu foco em projetos de mínimo impacto, com uso do bambu como principal material e atenção à origem e forma de produção da planta.
Parcerias e colaborações
Segundo o CAU/BR, Leiko Motomura forma, em seu trabalho, equipes multidisciplinares com especialistas em água, energia, materiais, qualidade do ar, iluminação natural e segurança.
O Centro Max Feffer é registrado por Noia (2013) como um projeto do escritório Amima, associado a Hongyu Group.
Há, ainda, registro de estudos de desempenho térmico e luminoso para o projeto Amana-Key, em Cotia, e de “parede Trombe” para o Centro Max Feffer, vinculados a Leonardo Marques Monteiro, o que indica colaboração entre projeto arquitetônico e assessoria de desempenho ambiental.
A citação de Leiko Motomura em teses sobre estruturas e conexões em bambu, ao lado de outros nomes importantes do campo, indica sua relevância nas redes de pesquisa em bambu e a circulação de sua obra no debate técnico-acadêmico.
De fato, a arquiteta afirmou valorizar todas as pessoas envolvidas em todo o processo, desde a concepção até a execução de um projeto. Destacou a riqueza proporcionada pelo diálogo e a importância de o arquiteto poder contar com pessoas que o complementam: consultorias que tenham o conhecimento necessário ou estejam dispostas a aprender; clientes que estejam dispostos a executar aquilo que o arquiteto propõe; fornecedores que garantam a qualidade dos materiais necessários; mão de obra, executores que estejam abertos a novos modos de fazer e contribuam, com sua inteligência, para superação de eventuais desafios na execução.
Lista de projetos
As fontes consultadas permitiram identificar alguns dos projetos mais representativos da trajetória de Leiko Hama Motomura. Essas obras ilustram a aplicação prática de seus princípios arquitetônicos, principalmente no que se refere à sustentabilidade, à experimentação construtiva e ao uso de materiais de baixo impacto ambiental. A seguir, são apresentados alguns projetos citados pela arquiteta em sua entrevista e os projetos mais recorrentes nas fontes pesquisadas e que melhor representam sua trajetória profissional.
c. 2000, Sala de Aula de Verão / Amana-Key, Cotia, SP;

Fonte: Galeria da Arquitetura, s.d. S.d. - Restaurante Brasil a Gosto, São Paulo, SP;

2000, Premiada em 2005 - Casa Tarumã, Botucatu, SP;

2008 - Centro Max Feffer Cultura e Sustentabilidade, Pardinho, SP;

2009 - Hotel + SPA Retiro das Pedras, Brasília, DF (não executado);
2011/2012 - Residência Kurumin, Itu, SP;

2014/2015 - Residência Embu das Artes, Embu, SP;

2015 - Residência Forest Hills, Jandira, SP;

2025 - Quiosques / estruturas em bambu na Fazenda dos Bambus, Pardinho, SP

2026 - projeto Casa da Celebração, Cotia/SP
Projeto 1: Casa Tarumã

A Casa Tarumã foi projetada por Leiko Hama Motomura em 2000, no Condomínio Tarumã, em Botucatu (SP). Trata-se de uma residência unifamiliar de pequeno porte, com aproximadamente 85m² de área construída, desenvolvida para uma familiar da arquiteta. O cálculo estrutural foi realizado por Hidetoci Kawata e Natan Levental. Conforme relatado por Motomura em entrevista concedida às autoras deste trabalho (2026), o projeto constituiu sua primeira experiência com o uso do bambu como material construtivo e reuniu diversas soluções que a arquiteta desejava experimentar em uma proposta de baixo impacto ambiental.
O Condomínio Tarumã foi criado com o objetivo de arrecadar recursos para o reflorestamento da mata às margens do rio Capivara. Nesse contexto, a residência foi concebida como uma construção experimental, baseada no reaproveitamento de materiais, no uso de recursos locais e na adoção de soluções ecológicas. O projeto também foi planejado para evoluir em três fases, acompanhando o crescimento da família e a disponibilidade financeira dos proprietários.
A implantação da casa considerou as condições climáticas locais. As áreas sociais e os dormitórios foram orientados para leste e norte, favorecendo a insolação. Os ventos predominantes da região chegam à construção suavizados pela presença de árvores e arbustos.
Implantação - Casa Tarumã

Planta baixa - Casa Tarumã (Fase 1)

Fachadas Leste, Sul, Oeste e Norte - Casa Tarumã

Cortes - Casa Tarumã

Corte Transversal - Casa Tarumã

O bambu empregado na construção foi o Moso (Phyllostachys heterocycla). Eles chegaram à obra já cortados e passaram por um processo de defumação durante sete dias com pó de serra proveniente de marcenarias da região, visando reduzir problemas de umidade. A fumaça produzida foi condensada, gerando um líquido posteriormente utilizado como inseticida. Após a defumação, os bambus foram submetidos à imersão em solução aquosa de pentaborato de sódio.
Tratamento dos bambus

O material foi utilizado em diferentes partes da edificação, substituindo grande parte da madeira e do aço. Nas fundações, o bambu substituiu o ferro nas armações das sapatas corridas e dos baldrames, que receberam bambus rachados em sua composição. Como proteção contra a umidade, foi empregado carvão de bambu.
Baldrames Casa Tarumã

Estribos de bambu

A subestrutura da residência foi executada com laje de concreto sobre uma base de solo-cimento apoiada em terra compactada. Os tijolos utilizados na construção foram produzidos com terra
retirada do próprio terreno durante a terraplanagem. Os blocos de solo-cimento foram prensados no local e parte da mão de obra envolvida na produção dos tijolos era composta por jovens participantes de um programa de capacitação na construção civil.
Execução Casa Tarumã

A cobertura constitui um dos principais elementos do projeto. Sua solução estrutural baseia-se em abóbadas formadas por tramas de tiras de bambu, que funcionam simultaneamente como fôrma e forro. De modo geral, quando o bambu é utilizado como elemento estrutural, seus colmos podem ser unidos por amarrações, encaixes ou conexões metálicas. Na Casa Tarumã, as ligações entre os elementos de bambu da cobertura foram realizadas por meio de amarrações. Sobre essa trama foi aplicado um plastocimento de 3cm de espessura. As camadas da cobertura incluem: estrutura de bambu, forro interno (Tecido Não Tecido - TNT), papelão ondulado reciclado, argamassa, tela sintética, argamassa e impermeabilização (polímero à base de mamona). O projeto original previa a implantação de um telhado verde, que não foi executado, embora a cobertura tenha sido dimensionada para suportar cerca de 20 cm de terra.
Processo construtivo Casa Tarumã

Cobertura Casa Tarumã

Vista externa cobertura Casa Tarumã

Sobre o reaproveitamento de materiais no projeto, grande parte dos componentes utilizados foi adquirida em lojas de demolição, incluindo os caixilhos da residência, todos reaproveitados. A casa também incorporou materiais reciclados, como pedaços de isopor misturados à argamassa e latas de alumínio descartadas, utilizadas como elemento decorativo na fachada.
Latas de alumínio reutilizadas como elemento decorativo na fachada da Casa Tarumã

Entre as soluções de destaque criativo no projeto estão as janelas de garrafas, desenvolvidas a partir de sucessivas experiências realizadas pela arquiteta em parceria com um pedreiro. Essa solução dá novo uso a materiais que seriam descartados e contribui para a ambiência da residência. Durante o dia, essas janelas ampliam a entrada de luz natural na cozinha e, à noite, produzem efeito decorativo de cor na fachada a partir da iluminação interna acesa.
Vista externa janelas-garrafas Casa Tarumã

Vista externa janelas-garrafas Casa Tarumã

A preocupação ambiental também se estendeu aos sistemas prediais da casa. O esgoto doméstico é tratado em duas etapas, por meio de fossa séptica e filtro sedimentar. Após o tratamento, o efluente é distribuído por canais que irrigam o pomar da residência, sem lançamento de dejetos para fora do lote. O abastecimento hídrico também ocorre por duas fontes: a água de chuva captada na cobertura é destinada às bacias sanitárias e às torneiras do jardim, enquanto um poço artesiano do condomínio fornece água potável para os demais usos.
Vista interna Casa Tarumã

Vista interna Casa Tarumã

Diante de seu caráter inovador e experimental, a Casa Tarumã recebeu destaque ao ser premiada no Prêmio Planeta Casa em 2005 e divulgada em reportagem publicada em 2006. O reconhecimento evidenciou as soluções construtivas sustentáveis e o uso criativo de materiais e técnicas construtivas adotados no projeto.
Projeto 2: Centro Cultural Max Feffer

O centro cultural Max Feffer, projetado por Leiko Hama Motomura, está localizado no município de Pardinho, no estado de São Paulo. A cidade possui uma área de 208.223 km² e, segundo o censo do IBGE de 2022, uma população de 7.153 pessoas. O edifício foi construído pelo Instituto Jatobás, objetivando o desenvolvimento sustentável do município e a promoção da cultura. Além disso, o Centro Cultural Max Feffer foi implantado em uma praça cedida pela Prefeitura do município, situada entre as ruas Nicanor Teodoro Rosa, Augusto César e Ademir Rocha.
Mapa de localização do Centro Cultural Max Feffer

Mapa de implantação

O edifício foi implantado em um terreno de 7.130 m² e ocupa 15% de sua totalidade. Nesse sentido, devido às características do terreno, a construção se deu de maneira longilínea agregando uma grande área verde nos seus arredores. O centro cultural Max Feffer, possui dois pavimentos com área construída de 825,46 m², totalizando 1.650,92 m².
Planta de Implantação Centro Cultural Max

Planta baixa 1º pavimento

Planta baixa 2º pavimento

A planta do edíficio é caracterizada como uma estrutura pavilhonar. Dessa forma, o pavimento térreo é um espaço voltado a atividades de exposição, educação, serviços e oficinas. O ambiente é dividido em uma área multiuso, sala de reuniões, sala de administração, depósito e sanitários, possuindo um pátio aberto, rampa externa e uma escadaria em U. Já o pavimento superior, é um espaço voltado para a realização de oficinas, possuindo uma ambiente multifuncional. As técnicas construtivas aplicadas no pavimento térreo são as vedações de solo-cimento, os blocos de concreto celular e a laje de concreto. Já o pavimento superior possui uma cobertura de bambu apoiada em pilares de eucalipto presentes também no pavimento térreo. Dentre os espaços do Centro Cultural, destacam-se o palco externo, a praça coberta, a sala multiuso e a sala de apoio. Nesses ambientes são desenvolvidas diversas atividades culturais.
Diagrama esquemático do uso do espaço

Palco externo (praça)

Praça coberta

Sala Multiuso

Sala de apoio

No edifício, o elemento de destaque é a cobertura de duas águas em formato ondular, sendo construída com a utilização de bambú da espécie Guadua chacoensis. Devido a falta de fornecedores nacionais, o material foi exportado do Paraguai. Além disso, a arquiteta buscou profissionais experientes em estruturas de madeira para a execução do projeto. A cobertura ondulada, além de auxiliar no suporte de cargas, agrega esteticamente o elemento arquitetônico, visto a plasticidade do material.

Perspectiva da Estrutura do Centro Cultural Max Feffer

Perspectiva explodida da estrutura do Centro Cultural Max Feffer

A técnica de conexão das peças de bambu utilizada foi a “boca de peixe”, que consiste em um recorte no material para a sua ligação. Nesse processo são utilizados fios de aço ou braçadeiras metálicas a fim de possibilitar a conexão das peças. Já em relação às ondulações da cobertura foi necessário a utilização de outra técnica de conexão. Nesse sentido, utilizou-se o método de junção de três peças de bambu por meio de um tubo metálico com uma barra rosqueada.
Detalhe da conexão das peças Boca de Pescado

Detalhe da ligação das peças anguladas

Para realizar o fechamento da cobertura, a arquiteta optou por telhas onduline, de PVC transparentes em duas faixas laterais e brancas no restante da estrutura. Essa escolha foi realizada a fim de possibilitar a entrada de iluminação natural no ambiente, bem como permitir a não absorção de calor, visto que a cor branca permite o aumento da reflexão solar.


Para a realização da junção das telhas com as peças de bambu usou-se uma técnica mais contemporânea. Assim, a ligação entre a estrutura de bambu e as telhas foi executada por meio do uso de braçadeiras metálicas, que previnem rachaduras no bambu, e terças de metalon.

Diante dessa perspectiva, as técnicas construtivas utilizadas são mistas, variando desde concreto, bambu e a madeira. Dessa forma, para suporte das cargas do edifício, a fundação da edificação é realizada em sapatas de concreto fixadas abaixo do solo, as quais recebem os esforços dos pilares duplos de madeira maciça de eucalipto com aproximadamente 30cm de diâmetro. O pavimento térreo utiliza também pilares de concreto que distribuem os esforços da laje de concreto também presente no pavimento.
Detalhe da fundação

Diante disso, observa-se a utilização de um conjunto de técnicas construtivas para a execução do centro e a adaptação das técnicas para possibilitar a realização do projeto com diferentes inclinações. Vale ressaltar que a construção foi realizada a fim de reduzir os impactos ambientais, nesse sentido, houve a reutilização de materiais, como madeira, tijolos e concreto armado para o preenchimento das paredes internas. Além disso, as esquadrias utilizam caixilhos de madeira de demolição, gradis com reuso de resíduo industrial e a cobertura de papelão reciclado.
A preocupação com os impactos ambientais não se estabeleceu apenas por meio do reuso de materiais. Dessa forma, na obra foram incorporadas técnicas de eficiência energética, que resultaram em uma redução de 25% de energia elétrica, bem como propiciaram a ventilação natural. Ressalta-se o cuidado com a gestão hídrica por meio do reuso de água cinza para as descargas sanitárias, a captação das águas de chuva e o uso de água de descarte para a irrigação do jardim. Ademais, o edifício conta com bicicletário e corrimões de ônibus reformados. Essas características, dentre outras, fizeram com que o Centro Cultural fosse um dos primeiros edifícios da América Latina a adquirir a certificação Leed Gold.
REFERÊNCIAS
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AUTORES:
Caroline de Souza Pereira Rossi Vieira, Helena Maciel de Souza, Iara Lemes Ferreira de Azevedo, Júlia Oliveira Alves e Ronisie Karoline Santos Menezes.




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