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Álvaro Hardy (Veveco)

  • Foto do escritor: ACR 113
    ACR 113
  • 14 de jan. de 2022
  • 8 min de leitura

Atualizado: 8 de jul. de 2025

Álvaro Mariano Teixeira Hardy, mais conhecido como “veveco”, apelido dado pelos seus colegas de rua, nasceu em Belo Horizonte no dia 4 de maio de 1942 e faleceu em março de 2005 aos 62 anos. Hardy era o filho mais velho dos cinco filhos de Luzia e Raphael. Seu pai, Raphael Hardy Filho, também era arquiteto e foi um dos precursores do modernismo em Minas Gerais, seu avô era o músico e arquiteto belga Raphaël Hardy. A esposa de Hardy, Mariza Machado Coelho e suas filhas Joana e Mariana também são formadas em Arquitetura.


Imagem 1: Álvaro Hardy

Fonte: Museu da Pessoa


Veveco cresceu no Bairro do Carmo, um bairro de classe média próximo ao centro de Belo Horizonte. Sua geração foi uma das primeiras a nascer na cidade, filhos das famílias que se mudaram para Belo Horizonte para ajudar na sua construção. Assim, a cultura local estava começando a ser construída.


Na juventude, em busca de se manter financeiramente, Álvaro começou a vender livros para o seu tio Gerson Sabino e abriu uma pequena livraria no edifício Malleta, centro comercial de BH. Em um bar chamado Berimbau, que ficava no edifício, Veveco conheceu os integrantes do Clube da Esquina – um grupo de músicos de vanguarda dos anos 1970 - e se tornou parte da turma de amigos. No meio do grupo ele era conhecido por seu talento culinário, habilidade que aprendeu com o pai.


Em 1994 Hardy foi um dos homenageados na música “Vevecos, Panelas e Canelas” composta por Milton Nascimento e Fernando Brant.


“Hoje tô de bem com a vida, tô no meu caminho/ Respiro com mais energia o ar do meu país/ Eu invento coisas e não paro de sonhar” - Vevecos, Panelas e Canelas

Imagem 2: Da esquerda para a direita, Fernando Brant, Chico “Canelas”,

Tavinho das “Panelas”, Álvaro “Veveco” e Milton Nascimento.

Fonte: Museu da Pessoa


Imagem 3: Caricatura de Hardy feita por Chico Caruso

Fonte: Museu da Pessoa


Álvaro Hardy se graduou em Arquitetura e Engenharia Civil na UFMG em 1970. Em 1974 fez parte do projeto da Sede do Usiminas junto com o seu pai Raphael Hardy Filho e Istvan Farkasvolgyi.


Foi um dos 30 editores da revista Pampulha junto com colegas como Ana Maria Schmidt, Eduardo Tagliaferri, Sylvio de Podestá, Jô Vasconcellos e Éolo Maia. A revista nasceu no fim da década de 1970 com o objetivo de gerar transformmação através da disseminação da cultura belo horizontina. Sua edição era feita por personalidades de diversas áreas do saber como arquitetos, cozinheiros e escritores. Ela circulou em setenta e duas cidades incluindo Belo Horizonte, chegou a ter 2500 assinantes e foi a pioneira em falar de pós-modernismo no País.


Imagem 4: Capas da revista Pampulha

Fonte: Sylvio E. de Podestá | Arquitetura


Em 1989, Álvaro participou do concurso para Reestruturação do Centro de BH - o BH Centro - aberto a profissionais, empresas, instituições e equipes multidisciplinares. O projeto de requalificação só foi devidamente implantado em 2003 e Hardy fez parte da equipe responsável pela reforma da Praça Sete de Setembro.


Veveco fez diversos projetos em conjunto com Gustavo Penna e Mariza Machado, sua esposa, de quem se tornou sócio em 1990 no escritório A&M. Foi também membro do Conselho Técnico Consultivo da revista Arquitetura e Engenharia, Assessor da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte (1984-1986) e representante do Brasil na VII Bienal de Arquitetura do Chile em 1991.


Em 1994 Hardy realizou junto com Mariza o projeto da Sede do Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB) em Belo Horizonte. Todas as atividades do museu ficavam concentradas no casarão, que era o único remanescente do antigo Curral Del Rey. O projeto de Hardy, construído no mesmo terreno, possibilitou que as atividades adiminstrativas fossem transferidas para a nova sede e o casarão passou a abrigar exposições fixas e temporárias do museu. O prédio foi o primeiro a ser construído exclusivamente para o uso museal em Belo Horizonte, e nele foi criada uma área de exposições com detalhamento específico para manutenção do acervo do MHAB.


Imagem 5: Sede do Museu Histórico Abílio Barreto

Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte


Em 2002, Hardy participou das obras de requalificação da Pampulha que envolveram a criação do Parque Ecológico, a reforma da Casa do Baile - que foi transformada em museu - e a criação de praças ao longo da orla, chamadas pelos arquitetos de "mirantes", que se adequavam às edificações projetadas por Oscar Niemeyer.


“Examinei os projetos elaborados para a orla e o parque ecológico da Pampulha. Agrada-me elogiar a quantidade arquitetônica desses projetos, a integração no local e o respeito à arquitetura existente” - Oscar Niemeyer

Em 2004 Veveco foi chamado para criar um projeto para o Museu do Clube da Esquina em parceria com o Museu da Pessoa, no entanto o projeto não foi implantado. Em homenagem a história do grupo foram espalhadas placas em pontos importantes da cidade, e em 2015 foi inaugurado próximo à esquina das ruas Paraisópolis com Divinópolis no bairro Santa Tereza o bar do Clube da Esquina.


Imagem 6: Placa Museu Clube da Esquina

Fonte: Diário do Turismo


Hardy ganhou diversos prêmios ao longo de sua carreira:

  • 1981 - 3º lugar Escola Rural, Concurso Regional da Carpe, Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais.

  • 1982 - Menção Honrosa, Casa do Jornalista.

  • 1989 - 1º lugar Praça Rio Branco, Rodoviária, Complexo da Lagoinha, Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.

  • 1993 - Projeto Sensações, II Bienal Internacional de São Paulo.

  • 1994 - II Prêmio IAB-MG de Gentileza Urbana - Recuperação da Praça Carlos Chagas, em Belo Horizonte, IAB-MG.

  • 1997 - 6ª Premiação do IAB-MG, Projeto Anexo do Museu Histórico Abílio Barreto, IAB-MG.

  • 1997 - Menção Honrosa na 6ª Premiação do IAB-MG, Projeto Mix-Shopping, IAB-MG.

  • 1998 - Prêmio Gentileza Urbana, Projeto anexo do Museu Abílio Barreto, IAB-MG e Prefeitura Municipal de Belo Horizonte.

  • 1999 - 8ª Premiação de Arquitetura Eduardo Mendes Guimarães, Projeto de Edificação pelo projeto do Anexo do Museu Abílio Barreto, IAB-MG.

  • 2000 - Anexo do Museu Histórico Abílio Barreto, II Premiação Mies Van der Rohe de Arquitetura Latino-americana.

Estes são alguns dos projetos realizados por Hardy ao longo de sua carreira:

  • 1973 - Edifício Pousada do Sol

  • 1974 - Sede da Usiminas

  • 1987 - Mix Shopping Sion

  • 1991 - Requalificação Praça Sete – Concurso BH Centro

  • 1994 - Sede do Museu Abílio Barreto

  • 2002 - Restauração da Casa do Baile

  • 2002 - Mirantes Orla da Pampulha

  • 2002 - Parque Ecológico da Pampulha

  • 2004 - Museu do Clube da Esquina – Projeto não construído

Dentre esses projetos foram escolhidos dois para serem analisados: o Parque Ecológico da Pampulha e o Mix Shopping Sion.


Parque Ecológico Promotor Francisco Lins do Rego


O Parque Ecológico da Pampulha é um projeto realizado por Álvaro Hardy, Gustavo Penna e Mariza Machado. Na época em que o projeto foi realizado a Pampulha, idealizada na década de 40 para ser um local de lazer, estava desvalorizada, tanto pela administração pública quanto pelos cidadãos da cidade.


O parque foi implantado na Ilha da Ressaca, uma ilha de 27 hectares constituída de resíduos dos córregos ao redor da Pampulha. O objetivo era criar na região um local de lazer, oferecendo um espaço plano para correr em uma cidade cheia de montanhas.


O Parque foi dividido em 5 setores: esplanada, área reflorestada, área alagada, reserva de uso restrito e enseada.


Imagem 7: Parque Ecológico

Fonte: Público Coletivo


Antes da portaria fica o estacionamento já que dentro do parque só é permitida a entrada dos pedestres e de bicicletas.


Imagem 8: Implantação estacionamento

Fonte: Revista Projeto


O pórtico de entrada é formado por um prisma retangular branco com divisórias feitas de eucalipto. Ele possui uma portaria que tem o objetivo de controlar as entradas e saídas do parque. Todas as edificações são formadas pelos mesmos materiais que conferem leveza ao ambiente, não interferindo na paisagem e dialogando com a natureza através de materiais como a madeira.


Imagem 9: Pórtico de Entrada

Fonte: Revista Projeto


O centro de apoio fica em frente a um espelho d’água e é composto por um volume branco retangular de um pavimento no qual está anexada uma a marquise que se apoia em pilares brancos redondos.


Incluída no centro do parque a edificação não oferece impedimento visual, por conta da altura baixa, e da marquise na qual é usado o Eucalipto como material assim como no pórtico de entrada.


O centro de apoio é divido em duas entradas. A entrada pela marquise é dedicada aos visitantes e composta por lanchonetes e sanitários. A entrada diretamente no volume branco fica situada à esquerda da marquise e é composta pelo setor administrativo, uma recepção, a gerência e conta ainda com um auditório.

Imagem 10: Planta do Centro de Apoio

Fonte: Revista Projeto


O parque possui ainda um coreto, postos de controle, pontos para observação de pássaros, pequenos centros de educação ambiental, palafitas para passeio e pesca, bancos, lixeiras, bebedouros e sanitários.


Ficha Técnica:

Local: Belo Horizonte, MG

Data do projeto: 2002

Data da conclusão da obra: 2004

Área do terreno: 323.900 m²

Área construída: 1.749 m²


mix shopping sion


O mix Shopping Sion foi projetado por Álvaro Hardy e Mariza Machado no bairro do Carmo, em Belo Horizonte. Implantado em um terreno de esquina de 943,70m³ o edifício ocupa grande parte do espaço e não possui estacionamento por ser de pequeno porte.


O shopping é em formato de L, possui revestimento externo de placas pré-moldadas de argamassa com pequenas janelas redondas colocadas em sequência, lembrando o design de um navio. A sua fachada além de possuir o revestimento e janelas citados, conta ainda com uma estrutura metálica que se estende do térreo até o primeiro pavimento e comporta o letreiro com o nome do Shopping. Possui ainda um volume curvo que se projeto sobre o pavimento térreo.


Imagem 11: Fachada Mix Shopping Sion

Fonte: Revista Projeto


Imagem 12: Volume curvo projetado

Fonte: Revista Projeto


O edifício foi criado para ser um centro comercial e possui 46 lojas de aproximadamente 20 m² e dois pavimentos de 5,50 m de altura cada.




Imagem 13: Planta do 1° Pavimento

Fonte: Revista Projeto


O térreo possui um recuo em relação ao primeiro pavimento, possibilitando que algumas de suas lojas tenham a entrada voltada para a rua e sejam protegidas das intempéries pelo volume projetado do pavimento de cima. A entrada do edifício dá acesso a um corredor com algumas das lojas e ao fundo se encontram os sanitários. Possui também acesso a escada metálica que leva ao segundo pavimento e a outro corredor a direita que possui acesso ao restante das lojas do andar.


Imagem 14: Planta do 2° Pavimento

Fonte: Revista Projeto


No segundo pavimento estão os nichos destinados ao ar-condicionado e algumas lojas se projetam sobre o balanço acima do piso, abrindo acesso para um corredor que coloca a entrada dessas lojas em frente a outras que não podem ser vistas da rua.


Ficha Técnica:

Local: Belo Horizonte, MG.

Data do projeto: 1987

Data de execução da obra: 1988

Área do terreno: 943,70 m²

Área construída: 1900 m²


Autora

Kamila Martins


referências bibliográficas:


Álvaro Mariano Teixeira Hardy. CNPq. Disponível em:<http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do>. Acesso em: 02 de janeiro de 2022.


Álvaro Hardy (Veveco). ARQBH. Disponível em: <http://www.arqbh.com.br/search/label/Arq%3A%20Alvaro%20Hardy%20%28Veveco%29>. Acesso em: 02 de janeiro de 2022.


Álvaro Hardy (Veveco), Mariza Machado Coelho: Mix Shopping Sion, Belo Horizonte. Revista Projeto, 17 de agosto de 2021. Disponível em: <https://revistaprojeto.com.br/acervo/alvaro-hardy-veveco-mariza-machado-coelho-mix-shopping-sion-belo-horizonte/>. Acesso em: 02 de janeiro de 2022.


ATZINGEN, Paulo. Clube da Esquina: o som da amizade em BH. Diário do Turismo, 19 de Agosto de 2021. Disponível em: <https://diariodoturismo.com.br/clube-da-esquina-o-som-da-amizade-em-bh/>. Acesso em: 02 de janeiro de 2022.


Gustavo Penna, Álvaro Hardy e Mariza Machado Coelho: Orla e parque ecológico da Pampulha, Belo Horizonte. Revista Projeto, 24 de abril de 2005. Disponível em: <https://revistaprojeto.com.br/acervo/gustavo-penna-alvaro-hardy-e-mariza-machado-coelho-parque-belo-horizonte/>. Acesso em: 02 de janeiro de 2022.


LARSEN, Nathália; MAFRA, Michele; SANTOS, Ramon V. Desenhar a memória, comunicar a história: concepções de práticas museográficas em exposições temporárias no Museu Histórico Abílio Barreto. Arquitetura de Museus, 2012. Disponível em: <https://arquimuseus.arq.br/seminario2012/conteudo/eixo_02/e02_desenhar_a_memoria_comunicar_a_historia.pdf>. Acesso em: 02 de janeiro de 2022.


Museu Histórico Abílio Barreto. Wikipédia. Disponível em:<https://pt.wikipedia.org/wiki/Museu_Hist%C3%B3rico_Ab%C3%ADlio_Barreto#O_novo_edif%C3%ADcio_sede>. Acesso em: 02 de janeiro de 2022.


Parque Ecológico da Pampulha. Arquiteto | Gustavo Penna | Brasil. Disponível em: <https://www.gustavopenna.com.br/parqueecologicodapampulha>. Acesso em: 02 de janeiro de 2022.


PODESTÁ, Sylvio de. Revista Pampulha. Sylvio E. de Podestá | Arquitetura, 2008. Disponível em: <https://www.podesta.arq.br/publicacoes/revista-pampulha/revista-pampulha/>. Acesso em: 02 de janeiro de 2022.


Tocando fogão. Museu da Pessoa, 15 de Novembro de 2004. Disponível em: <https://acervo.museudapessoa.org/pt/conteudo/historia/tocando-fogao-45531>. Acesso em: 02 de janeiro de 2022.

 
 
 

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